Com mais de 500 mil atendimentos realizados desde 2004 e redução de 94,7% nas internações hospitalares entre pacientes acompanhados, o Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICDRS) apresentou, nesta terça-feira (26), os resultados de sua atuação em encontro de prestação de contas realizado na sede da instituição, em Porto Alegre. A atividade reuniu apoiadores, parceiros, autoridades públicas, representantes da comunidade e famílias atendidas pelo Instituto, em um momento de transparência, reconhecimento e reforço à importância do cuidado integral a crianças, adolescentes e jovens com diabetes tipo 1.
A apresentação foi conduzida por Suzana Vellinho Englert, integrante da diretoria do ICDRS, e teve como eixo central o impacto do modelo de atendimento 100% SUS (Sistema Único de Saúde) oferecido pela instituição, em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Fundado a partir de um projeto iniciado em 1998, a entidade concentra, em um mesmo local, 12 especialidades e diferentes frentes de apoio ao paciente com diabetes — reduzindo o tempo de espera, a fragmentação do atendimento e a necessidade de que famílias percorram diferentes serviços, agendas e filas após o diagnóstico.
Durante o encontro, o médico endocrinologista Dr. Balduino Tschiedel, idealizador e diretor-presidente do ICDRS, lembrou que o Instituto nasceu justamente para responder a uma dificuldade histórica no cuidado de crianças com diabetes tipo 1: a falta de acesso rápido e integrado ao acompanhamento necessário. “Quando a família recebe o diagnóstico, ela está muito fragilizada. Precisa de acolhimento, médico, enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e orientação para saber quais caminhos seguir. Foi isso que nos guiou na criação do Instituto: atender bem, educar e evitar que essas crianças cheguem ao hospital em situações graves”, destacou.
Segundo Balduino, os resultados mostram que o modelo tem conseguido transformar o cuidado e prevenir complicações. Desde o início de sua operação, o ICDRS acompanhou mais de 5,5 mil pacientes vindos de 323 municípios gaúchos — o equivalente a 65% das cidades do RS e a 55% da demanda estadual estimada de pessoas de zero a 20 anos com diabetes tipo 1. Ao longo desse período, a redução nas internações evitou 4.831 hospitalizações. Conforme estimativa apresentada no relatório institucional da entidade, com base em dados do DATASUS 2022, essa queda representa economia estimada de R$ 10,1 milhões a R$ 16,9 milhões para os cofres públicos.
“Não adianta atender cada vez mais pacientes se não tivermos resultados. O que conseguimos mostrar é que o Instituto atende, educa, acompanha e dá respostas à sociedade. As crianças não estão internando como antes. Isso é de suma importância”, afirmou o diretor-presidente.
Um dos fundadores e presidente do Conselho de Administração do ICDRS, Paulo Roberto Falcão também destacou a dimensão coletiva da trajetória apresentada na prestação de contas. Ao lembrar o início da mobilização para construção do Instituto, o ídolo do futebol brasileiro comparou o trabalho da entidade a uma conquista dentro de campo. “Foi uma luta difícil, continua sendo, mas cada vez mais vitoriosa. Eu não fiz gol sozinho, mas o nosso time aqui, formado por todos que trabalham e apoiam esta causa, fez e segue fazendo cada vez mais gols bonitos”, afirmou.
Somente em 2025, o atendimento técnico do ICDRS somou 19.750 atendimentos, entre consultas ambulatoriais, Hospital-Dia, Hotline — canal direto de suporte às famílias — e novos pacientes recebidos. Na área de educação em diabetes, 1.190 pessoas foram impactadas por ações voltadas a pacientes, familiares, escolas e profissionais da saúde e da educação. O Instituto também entregou mais de 97 mil insumos e insulinas a 1.607 pacientes que necessitavam de suporte adicional.
Esses resultados também refletem uma atuação que vai além da consulta médica. A superintendente do ICDRS, Ana Bertuol, destacou ações voltadas à educação em diabetes, ao apoio às famílias e à qualificação da estrutura de atendimento, como 48 novas videoaulas, oficinas de contagem de carboidratos, capacitações em escolas e serviços de saúde, melhorias internas e iniciativas de assistência social. “A educação faz parte do tratamento. Quem tem uma doença crônica precisa saber como viver com ela. É sobre viver apesar dela”, afirmou.
A dimensão humana do trabalho foi evidenciada a partir do depoimento de Carolina Weber Guazzelli, mãe de Vinícius, paciente do ICDRS diagnosticado com diabetes tipo 1 aos dois anos de idade. Em sua fala, Carolina relatou o impacto do diagnóstico na rotina familiar e destacou a importância do acolhimento recebido no Instituto. “Só quem vive essa doença tem a dimensão do quanto esse suporte é importante. Aqui a gente sai sabendo que está fazendo o melhor possível, com profissionais qualificados, apoio e acolhimento. Queria que todas as crianças e todas as famílias tivessem esse suporte”, disse.
A promotora de Justiça da Infância e Juventude de Porto Alegre, Cinara Vianna Dutra Braga, também participou do encontro e reforçou o compromisso do Ministério Público com a proteção de crianças e adolescentes atendidos pela instituição. “O Ministério Público do RS é parceiro do Instituto da Criança com Diabetes. Reconhecemos a importância do trabalho liderado pelo Dr. Balduino e desenvolvido por toda essa equipe. Conte conosco no que for necessário, porque nossas crianças e jovens merecem essa proteção”, afirmou.
Ao reunir resultados, depoimentos e reconhecimento público, a prestação de contas reforçou o compromisso do ICDRS com a transparência e com a comunidade que apoia a causa. Os relatórios de atividades, demonstrativos financeiros, estatuto social e código de ética da entidade estão disponíveis ao público aqui, no site icdrs.org.br.

